Você ronca alto todas as noites, acorda cansado como se não tivesse dormido e já ouviu de quem divide o quarto com você que, às vezes, parece que a respiração simplesmente para? Se você chegou até aqui, provavelmente está preocupado e cansado de ouvir que ronco é apenas um incômodo passageiro. Como especialista em medicina do sono em Uberlândia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Uberl%C3%A2ndia), recebo diariamente pessoas exaustas, que já tentaram travesseiros diferentes, aplicativos e mudanças caseiras, mas continuam acordando sem energia. O ronco pode ser mais do que um som que atrapalha o sono de quem está ao lado: ele pode ser o primeiro aviso de um distúrbio respiratório que merece investigação séria.
Meu nome é Adriana Carvalho, sou pneumologista e doutora em Medicina do Sono, e neste artigo quero conversar com você sobre o que o ronco realmente significa, quando ele é um sinal de alerta e como podemos avaliar isso juntos, com calma e ciência, e não em uma consulta de quinze minutos que apenas empurra uma solução genérica.
O ronco é sempre perigoso ou pode ser normal?
Essa é uma das perguntas que mais escuto no consultório. A resposta honesta é: nem todo ronco indica doença, mas todo ronco persistente merece atenção. O ronco acontece quando o ar passa por uma via aérea parcialmente obstruída durante o sono, fazendo os tecidos da garganta vibrarem. Alguns fatores aumentam essa vibração, como o relaxamento natural da musculatura durante o sono, o formato das vias aéreas, o excesso de peso e até o consumo de álcool à noite.
O que diferencia um ronco simples de um ronco preocupante é o contexto. Quando o ronco vem acompanhado de pausas na respiração, engasgos, sono fragmentado e cansaço excessivo diurno, ele deixa de ser apenas um som e passa a ser um possível indicativo de apneia obstrutiva do sono. Por isso, a avaliação individual é tão importante. Não existe uma regra única que sirva para todos: cada pessoa tem uma anatomia, uma rotina e um histórico diferentes, e é isso que investigo em cada consulta.
Quais são os sintomas de apneia do sono além do ronco alto?
Muitas pessoas acreditam que o ronco alto é o único sinal da apneia, mas a realidade é mais ampla. A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por repetidas interrupções da respiração durante a noite, e cada uma dessas pausas reduz temporariamente a oxigenação do corpo e fragmenta o sono. O resultado é um descanso que não restaura de verdade.
Entre os sintomas que costumo investigar estão:
- Sensação de cansaço mesmo após uma noite inteira de sono;
- Sonolência excessiva durante o dia, com risco de cochilar em situações inadequadas;
- Episódios de engasgo ou sensação de sufocamento ao dormir;
- Acordar diversas vezes durante a noite, muitas vezes para urinar;
- Dor de cabeça matinal;
- Dificuldade de concentração e alterações de memória e humor;
- Relatos de pausas respiratórias observadas por quem divide o quarto.
Segundo a American Academy of Sleep Medicine (AASM) e a Associação Brasileira do Sono (ABS), a apneia não tratada está associada a maior risco cardiovascular, hipertensão de difícil controle e prejuízo importante na qualidade de vida. É justamente por isso que insisto que ronco e cansaço crônico não devem ser normalizados. Eles são pistas valiosas que o corpo nos oferece.
Por que o ronco causa tanto cansaço durante o dia?
Para entender o cansaço, precisamos entender como funciona o sono saudável. Durante a noite, passamos por diferentes estágios, alternando entre o sono leve e o sono profundo reparador, além das fases de sono dos sonhos. É durante o sono profundo que o corpo realiza grande parte da recuperação física, e durante as fases mais profundas e o sono dos sonhos que ocorre a consolidação da memória e o descanso mental.
Quando o ronco está associado a episódios de obstrução das vias aéreas, o cérebro precisa despertar brevemente diversas vezes ao longo da noite para restabelecer a respiração. Muitos desses despertares são tão rápidos que a pessoa nem percebe, mas eles impedem que o organismo alcance o sono profundo de forma contínua. É como tentar recarregar uma bateria que é constantemente interrompida: pela manhã, a energia nunca está completa.
Essa é a explicação fisiológica para aquele cansaço que não passa, para a irritabilidade e para a dificuldade de raciocínio ao longo do dia. Não é preguiça nem falta de disciplina. É o seu sono sendo roubado, noite após noite.
Como o especialista em medicina do sono avalia o ronco?
Quando atuo como médica do sono, minha primeira preocupação não é entregar um diagnóstico apressado, mas sim entender a história completa por trás do seu ronco. A avaliação começa com uma escuta atenta: como é a sua rotina, quais são seus hábitos antes de dormir, como está seu peso, se há uso de álcool ou medicações, se existem outras queixas respiratórias e como está o seu dia a dia em termos de energia e disposição.
Em seguida, avalio a anatomia das suas vias aéreas e sinais clínicos que ajudam a estimar o risco de apneia. Quando necessário, indico o exame de polissonografia, considerado o padrão de referência para o diagnóstico dos distúrbios respiratórios do sono. Esse exame registra diversos parâmetros durante a noite, como a respiração, os níveis de oxigênio, os estágios do sono e os despertares, permitindo uma análise objetiva e precisa.
O diferencial da minha abordagem está na personalização. Não trabalho com modelos rígidos e prontos. Cada plano é construído de forma compartilhada com você, respeitando sua realidade, suas limitações e seus objetivos. A decisão sobre os próximos passos é tomada em conjunto, com informação clara e sem imposições.
Como parar de roncar sem cirurgia invasiva?
Essa é uma preocupação legítima de muitos pacientes que temem procedimentos agressivos. A boa notícia é que existem diversas estratégias de manejo do ronco e da apneia que não passam por cirurgia, e a escolha depende sempre da causa e da gravidade do quadro.
Entre as abordagens que avalio estão medidas comportamentais e de estilo de vida, como o cuidado com o peso corporal, a redução do consumo de álcool à noite, a atenção à posição de dormir e a organização da rotina de sono. Em muitos casos, ajustes consistentes no estilo de vida trazem melhora significativa. Como médica com formação em Medicina do Estilo de Vida, valorizo profundamente esse pilar, sempre integrado a alimentação equilibrada e atividade física, fatores que reconhecidamente influenciam a qualidade do sono e da respiração.
Para os casos de apneia moderada a grave, o uso do CPAP costuma ser a principal estratégia recomendada pelas diretrizes internacionais. Esse aparelho mantém as vias aéreas abertas durante a noite por meio de uma pressão de ar suave e contínua, eliminando as pausas respiratórias e devolvendo a possibilidade de um sono reparador. Muitas pessoas têm receio do CPAP, e é aqui que o acompanhamento faz toda a diferença.
O que fazer diante da dificuldade de adaptação ao CPAP?
A adaptação ao uso do CPAP é uma das etapas em que mais vejo pacientes desistirem por falta de suporte adequado. Comprar o aparelho e recebê-lo sem orientação é um caminho quase certo para o abandono. O sucesso do tratamento depende de ajustes finos, de escolha adequada de máscaras e, principalmente, de um acompanhamento próximo nas primeiras semanas.
Existem diferentes tipos de máscara, incluindo opções pensadas para quem dorme de lado, e a escolha correta influencia diretamente no conforto e na continuidade do uso. Além disso, sensações iniciais de desconforto, ressecamento ou dificuldade de se acostumar são comuns e, na maioria das vezes, superáveis com orientação e paciência.
É por isso que, no Instituto Brisa, ofereço planos de acompanhamento contínuo, e não apenas consultas isoladas. Eu acompanho a sua adaptação passo a passo, ajustando o que for necessário até que o uso do aparelho deixe de ser um obstáculo e passe a ser um aliado das suas noites. A meta é sempre a recuperação da qualidade de vida, com estabilidade e autonomia.
Existe tratamento para insônia e ronco ao mesmo tempo?
Sim, e essa é uma situação mais frequente do que se imagina. Muitos pacientes que roncam também apresentam dificuldade para dormir ou manter o sono, criando um ciclo de exaustão que se retroalimenta. Nesses casos, o tratamento precisa olhar para o quadro completo, e não apenas para um sintoma isolado.
Quando a insônia é um componente relevante, a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia, conhecida como TCC-I, é considerada pela literatura científica a abordagem de primeira linha. Trata-se de um tratamento estruturado e baseado em evidências, que atua na reestruturação de pensamentos e comportamentos que perpetuam a insônia, sem depender exclusivamente de medicações. É um trabalho de médio prazo, geralmente conduzido ao longo de algumas semanas, sempre adaptado à necessidade individual de cada pessoa.
No meu consultório, conto com o apoio de uma psicóloga especializada em TCC-I, que trabalha comigo de forma integrada. Isso permite unir o olhar da medicina do sono ao suporte comportamental, oferecendo um cuidado mais completo. Se, ao avaliar o seu caso, eu identificar que a TCC-I pode beneficiar você, conversaremos sobre isso de forma clara e planejada, sempre respeitando o seu ritmo.
Vale reforçar: não demonizo medicações. Elas têm seu papel em determinados contextos. O que combato é o uso indiscriminado, sem investigação da causa raiz, que deixa o paciente dependente de um comprimido sem nunca entender por que não consegue dormir. Qualquer ajuste em tratamentos prévios deve ser feito sempre com acompanhamento médico, nunca por conta própria.
Por que escolher um acompanhamento contínuo em vez de uma consulta isolada?
O ronco e os distúrbios do sono raramente se resolvem em um único encontro. Eles envolvem hábitos, anatomia, emoções, peso, rotina e, muitas vezes, adaptação a um tratamento novo. Tentar resolver tudo isso em uma consulta rápida e fragmentada é frustrante para o paciente e, na prática, ineficaz.
Foi essa constatação, ao longo de mais de vinte anos de prática clínica e de anos como professora universitária, que me levou a estruturar os planos de acompanhamento no Instituto Brisa. Em vez de entregar apenas uma receita e um até logo, eu caminho com você ao longo do processo, ajustando estratégias, monitorando resultados e adaptando o plano conforme sua evolução.
Esse acompanhamento pode ser feito de forma presencial ou por meio de atendimento online particular, o que amplia o acesso para quem mora longe ou tem uma rotina intensa. O objetivo é sempre o mesmo: oferecer um cuidado sério, humano e contínuo, no qual você se sinta ouvido e parte ativa das decisões.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base nas diretrizes e evidências científicas mais atuais em medicina do sono e pneumologia, incluindo:
- Associação Brasileira do Sono (ABS);
- American Academy of Sleep Medicine (AASM);
- Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT);
- Publicações científicas indexadas em bases como PubMed, SciELO e JAMA.
O conteúdo foi elaborado por mim, Dra. Adriana Carvalho (CRM 51576/MG | RQE 34992 em Pneumologia | RQE 56262 em Medicina do Sono), médica formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com residência em Clínica Médica e Pneumologia pela faculdade da USP e doutorado em doenças do sono. Reúno a sólida formação acadêmica à visão humana da Medicina do Estilo de Vida, garantindo informações que refletem a ciência médica mais atual, sempre com escuta ativa e decisão compartilhada.
Perguntas frequentes sobre ronco e apneia do sono
Todo mundo que ronca tem apneia do sono?
Não. Existe o ronco simples, sem interrupções na respiração, e existe o ronco associado à apneia. A única forma de diferenciar com segurança é por meio da avaliação clínica e, quando indicado, do exame de polissonografia.
O ronco pode aparecer com o ganho de peso?
Sim. O acúmulo de tecido na região do pescoço e das vias aéreas pode aumentar a obstrução durante o sono, favorecendo o ronco e a apneia. Por isso, o cuidado com o peso é um dos pilares que avalio no acompanhamento.
O CPAP é para sempre?
Depende do caso. Em alguns pacientes, mudanças no estilo de vida e no peso reduzem a necessidade ao longo do tempo. Em outros, o CPAP é o tratamento mais eficaz e contínuo. Essa avaliação é individual e feita em conjunto com você.
Idosos também devem investigar o ronco?
Sim. Os distúrbios do sono são comuns na população idosa e frequentemente subdiagnosticados. A investigação adequada melhora a qualidade de vida, o funcionamento cognitivo e a segurança do sono nessa faixa etária.
Consigo ser atendido por você mesmo morando em outra cidade?
Sim. Ofereço atendimento online particular, o que permite iniciar a avaliação e o acompanhamento à distância, com a mesma seriedade da consulta presencial.
Vamos avaliar o seu ronco juntos
Se você convive com ronco, cansaço que não passa ou a sensação de que o seu sono não restaura, saiba que existe uma explicação e, mais importante, existe um caminho de cuidado. O ronco não precisa ser aceito como algo definitivo, e a exaustão diária não é algo que você tenha que suportar em silêncio.
Como pneumologista e doutora em Medicina do Sono, meu compromisso é ouvir a sua história, investigar a causa raiz e construir com você um plano possível dentro da sua realidade. Se você busca um atendimento médico humanizado, no qual sua voz é ouvida e as decisões são tomadas em parceria, convido você a agendar sua consulta presencial ou online comigo, Dra. Adriana Carvalho (CRM 51576/MG | RQE 34992 | RQE 56262), no Instituto Brisa. Vamos, juntos, avaliar o seu ronco e devolver a você noites de sono verdadeiramente reparadoras.

